segunda-feira, 11 de outubro de 2010

A SERPENTE E O VAGALUME

A SERPENTE E O VAGALUME
Merlânio Maia

Conta a lenda muito antiga
Que um vagalume brilhava
E a sua luz espalhava
Quando vê que de repente
Uma serpente o seguia
Se o vagalume pousava
O diabo da cobra estava
De tocaia o perseguia

E o pobre do vagalume
Subia e depois descia
E a serpe não desistia
Na sua ânsia voraz
Armava o bote e errava
A feroz perseguidora
E aquela luz voadora
Viu que lhe faltava a paz

É quando num bote errado
A serpe escorrega e cai
Logo o vagalume vai
E lhe fala sorridente
- Posso fazer três perguntas?
E a cobra geme na areia
- Faço parte da cadeia
Alimentar da serpente?

- Não! Lhe diz a predadora
- Então, te fiz algum mal?
- Também não! Diz o animal
- Então me fale a verdade
E explique a perseguição!!!
- Sou um bicho escuro e feio
Por isso invejo e odeio
Sua luminosidade!

O Vagalume voando
Brilhou mais, subiu ao céu
E a prima da cascavel
Na areia se contorceu
Veio a noite e as estrelas
Brilhava quais vagalumes
E a cobra entre os estrumes
De ódio e inveja enlouqueceu!


segunda-feira, 30 de agosto de 2010

McDIA FELIZ 2010 => BATE TODOS OS RECORDES DE VENDAS





Ainda sobre o McDIA FELIZ 2010...

VAMOS COMEMORAR, pois, este ano, BATEMOS TODOS OS RÉCORDES dos anos anteriores, chegando a mais de 11.000 BIG MACs vendidos.


SOBRE O TOTAL VENDIDO TEMOS A SEGUINTE ORIENTAÇÃO:


Os resultados da arrecadação da campanha McDia Feliz 2010 serão divulgados na primeira semana de outubro. Os números não serão liberados antes porque é necessário compilar, além da venda de Big Mac realizada nos restaurantes McDonald´s, a venda de tíquetes antecipados e produtos promocionais pelas 58 instituições beneficiadas em todo o país. Além disso, é necessário fazer o cálculo dos impostos pagos e das isenções sobre o número total de sanduíches Big Mac vendidos no dia 28 de agosto. O que podemos informar é que o McDia Feliz 2010 teve uma adesão maciça da sociedade, voluntários, personalidades,  funcionários, fornecedores e franqueados, o que confirma o respeito e a confiança que a campanha conquistou por seus resultados e contribuição para elevar os índices de cura do câncer infantojuvenil no país.

Mas aqui na Paraíba agradecemos a todos os parceiros desta causa solidária.

Valeu a pena, meus queridos e valorosos companheiros da ONG DONOS DO AMANHÃ. Nós conseguimos mais uma verdadeira façanha, uma grande vitória da Campanha de combate ao câncer infanto-juvenil.

Isso também mostra que Deus está conosco!

Fizemos a diferença!!!

Beijo em todos!

Merlânio e Raquel Maia
Os BONECOS DE LATA

segunda-feira, 26 de julho de 2010

COMEÇOU A CAMPANHA DO MCDIA FELIZ!!!

COMEÇOU A CAMPANHA DO MCDIA FELIZ!!!
por Merlânio Maia


A Pediatria do Hospital Napoleão Laureano em João Pessoa/PB necessita de uma enfermaria humanizada com apartamentos individuais, com banheiro individualizado para as crianças e as mães e os recursos de que precisamos serão conseguidos neste MCDIA FELIZ.


Será construído espaço de internação humanizada para vinte e cinco pacientes com suas respectivas mães/responsáveis.


A partir de agora estamos visitando empresas parceiras e firmando novas parcerias para que o MCDIA FELIZ seja um SUCESSO TOTAL.


Solicitamos o empenho de toda a Sociedade Paraibana para que na força da União possamos ajudar o combate ao câncer infanto-juvenil.


Compre seu Ticket e convide seus amigos para este importante evento de socorro às crianças e jovens portadores de câncer!


Vamos à Luta!!!


A CRIANÇA PORTADORA DE CÂNCER PRECISA DO SEU APOIO!

segunda-feira, 19 de julho de 2010

MÚSICA E POESIA NO LEITO DO HOSPITAL


MÚSICA E POESIA NO LEITO DO HOSPITAL

         Para viver, Merlânio Maia vende planos de saúde. Mas, em suas horas vagas, prefere levar sua arte para quem quase não tem saúde. Músico e poeta popular, preservador da culturamatuta”, este espírita, formado em Filosofia encanta, com poesia e violão, os pacientes do Hospital Napoleão Laureano, a mais importante Instituição para tratamento do câncer na Paraíba.

         - Eles vêm de sítios e fazendas do interior, na maior parte das vezes com câncer de pele adquirido no trabalho de sol a sol. Ficam semanas, às vezes meses. Sou sertanejo, vivi a seca, conheço bem o problema desse pessoal. A gente tenta ter um papo aberto, conversar sobre todas as dificuldades da vida deles, que são pessoas carentes em todos os sentidos – afirmou o poeta nascido em Itaporanga, alto sertão paraibano.

Toda segunda-feira à tarde, Merlânio pega seu chapéu colorido, o violão e os livros de cordel e parte para o hospital, um dos maiores de João Pessoa. A expectativa por sua chegada é grande. Durante a semana, os doentes vão colecionando poesias para serem declamadas ou musicadas na hora pelo artista.

         Um jovem uma vez me disse que o melhor dia da semana, para ele, era a segundafeira, quando a música e a poesia chegavam ao hospital – disse o filósofo.

         Uma das maiores emoções de Merlânio foi ver um homem idoso pegar seu violão e, com aqueles dedos calejados e encarquilhados, bater nas cordas com a dificuldade de quem não tocava há algumas décadas.

         - Ele disse que havia tocado violão quando era rapaz. Ainda sabia solar algumas melodias. Ficou numa alegria muito grande por ter tocado violão tanto tempo depois. É muito gratificante ver que nosso trabalho melhora a qualidade de vida de alguém – disse o artista.

         Merlânio, segundo suas próprias palavras, “trabalha o lado lúdico da arte”. A partir das poesias e das músicas – num esforço acompanhado também por psicólogos -, ele conversa com os enfermos sobre suas angústias e problemas, sobre a doença e as dificuldades da vida no hospital.

         Lembra-se de uma vez em que conversava com um grupo de pacientes sobre a importância do ato de perdoar, de não guardar rancor.

         - Uma senhora, com idade avançada, disse que não perdoava determinado desafeto que, numa certa ocasião, tinha batido na filha dela. Daí eu disse a ela que, com a raiva, a gente acaba guardando muita coisa ruim, muita coisa que a gente deveria jogar fora. Ela nada falou. Apenas começou a chorar. Então sem uma palavra, veio até mim e me deu um abraço. São momentos de alegria muito grande – afirmou.

         Buscar nessas pequenas recompensas, o estímulo para dar continuidade a seu trabalho é um dos trunfos que Merlânio Maia guarda para vencer as dificuldades de ser um artista voluntário em um hospital especializado em oncologia. Uma das maiores, diz ele, é manter sempre uma mensagem positiva e de alegria para quem, muitas vezes, está sem esperança.

- É difícil manter os meninos motivados. vi pessoas que queriam ser voluntárias cair em choro convulsivo quando viram as crianças mais graves. É importante sempre manter um caráter de otimismo – diz o artista, que sempre abraça os pacientes.

Para Merlânio, foi fundamental, em sua decisão de praticar um trabalho voluntário, os ensinamentos de Allan Kardec. O pai do Espiritismo ressalta a importância de se praticar a caridade incessantemente.

- Como eles, sou um viajante do Universo. Todo mundo está no mesmo barco, e temos que nos ajudar uns aos outros – disse o poeta, que deve publicar este ano na capital paraibana dois livros infantis, uma outra faceta do seu trabalho.
(Merlânio Maia é poeta e músico popular, há 7 anos trabalha com pacientes portadores de câncer no Hospital Napoleão Laureano em João Pessoa-PB)
(Capítulo do Livro: “CRONICAS DE UM GESTO VOLUNTÁRIO”, Autores Taisa Ferreira, Lúcia Leão, João Paulo Tupynambá, Edição MINISTÉRIO DA SAÚDE, Brasília, 2001, pág. 86-87)

         

quinta-feira, 15 de julho de 2010

FIM DAS SURRAS PEDAGÓGICAS

FIM DAS SURRAS PEDAGÓGICAS
Por Urariano Mota
Publicada em 14.07.2010

Recife (PE) - O presidente Lula assinou hoje um projeto de lei revolucionário: as palmadas e surras tidas como educativas, aplicadas há séculos pelos pais aos filhos, poderão ser punidas agora com advertências, encaminhamentos a programas de proteção à família e orientação especializada. E não só os país, os amorosos e exemplares pais, coitados. Os professores e cuidadores (dos quais ninguém cuida) também ficam proibidos de beliscar, empurrar ou mesmo bater em menores de idade.

Até então, a Lei 8.069, que instituiu o Estatuto da Criança e do Adolescente, condenava os maus-tratos contra a criança e o adolescente, mas não definia se os maus-tratos seriam físicos ou morais. Com o projeto assinado, o artigo 18 passa a definir "castigo corporal" como "ação de natureza disciplinar ou punitiva com o uso da força física que resulte em dor ou lesão à criança ou adolescente".

Em um país de cotidiana prática de tortura nas delegacias policiais, cometidas sempre contra os delinqüentes de fato ou em potência, a saber, negros e pobres; em um país cuja maior escola, para todo o povo, foi e tem sido a herança da escravidão, que naturalizou a dor contra pessoas como se fossem bestas; em um país que mal saiu de uma ditadura que matou, destruiu e mutilou brasileiros sob o aleijão ideológico de que apagavam terroristas, o projeto assinado pelo presidente é um salto para a civilização.

Pelos comentários que agora correm em toda a web, sabemos bem quem se opõe ao projeto de lei: vêm sempre de indivíduos de extrema-direita ou conservadores de todo gênero. Alguns podem ser tomados como representantes do pensamento de nossa educação pela porrada. Dentre os mais legíveis, excluídos os insultos sórdidos à pessoa do presidente, colho:

“... não aceito interferência do Estado dentro da minha casa, na condução da educação dos meus filhos... Os pais ficam nessa de dialogar e as crianças tomarão conta da casa. Não respeitando mais os pais, não respeitarão nenhum adulto... Não vai ter juiz, desembargador ou presidente, que vai me dizer como educar meus filhos. ...Na minha opinião o ECA veio para estragar ainda mais a ordem em nosso pais, porque amparados por esse estatuto temos centenas de menores com 16, 17 anos praticando crimes e ficando impunes. Na minha opinião a lei mais forte é o direito dos pais de educarem seus filhos”. 

Observem que a média de nossos bárbaros ainda nem assimilou o ECA, o Estatuto da Criança e do Adolescente, que para eles é só eca, porcaria, nojo, nada mais. No entanto, creiam, o projeto de Lula segue uma tendência mundial. Ele cumpre uma recomendação do Comitê da Convenção sobre Direitos da Criança das Nações Unidas, para que os países passem a ter legislação própria referente ao tema. A Suécia nos antecipou em 1979. Depois vieram Áustria, Dinamarca, Noruega e Alemanha. Atualmente 25 países têm legislação para proibir essa prática. Na América do Sul, até então, apenas o Uruguai e a Venezuela possuíam lei semelhante. Agora, vem o Brasil. É tempo, há tempo não somos mais o fim do mundo.

O presidente Lula, do alto de sua cultura extraordinária (sinto que explicar isso exigiria um outro artigo), homem educado na vida política e sindical, traz agora para todos os brasileiros os avanços do resto do mundo. Eu, que fui criado sob o lema paterno de “bato num filho como quem bate num homem”, e que sob tão alto princípio recebi as lições educativas de surras de borracha, mangueira de jardim e socos, bem conheço o alcance do projeto assinado pelo presidente. Salve. Assuntos de desrespeito à pessoa, de brutalidade contra jovens, não são assuntos de foro íntimo, da vida privada, a se resolverem entre quatro paredes. Violência educativa não pode nem deve continuar a ser assunto restrito aos pais e doces educadores.

Com esse projeto, parece que chegou a hora de as crianças brasileiras receberem o mesmo afeto e cuidado que as mulheres e senhores classe média dispensam a seus cachorrinhos. Tão fofos, el es, os cachorrinhos. 
Sobre o autor: URANIANO MOTA é pernambucano. Escritor, jornalista, autor de Soledad no Recife, recriação ds últimos dias de Soledad Barreto, mulher do cabo Anselmo.



quinta-feira, 8 de julho de 2010

O VÍDEO DOS BONECOS DE LATA EM AÇÃO.


Ói nós aí travêiz!!!

Cia. dos Bonecos de Lata, nosso trabalho voluntário, desde 06/11/1998, com onze anos de vida e alegria lá dentro da Pediatria do Hospital Napoleão Laureano em João Pessoa/PB.

Nos Sábados à tarde, eu e Raquel, estamos alegrando aquele lugar de sofrimento, onde o câncer rouba as esperanças das crianças portadoras e das suas famílias.

Mas nós estamos lá. Com força, graça, brincadeiras e Arte, muita Arte! 

Merlânio Maia

MCDIA FELIZ NA PARAÍBA - por Merlânio Maia

MCDIA FELIZ NA PARAÍBA
Por Merlânio Maia

Amigos, já iniciamos mais um MCDIA FELIZ na nossa Paraíba!

MCDIA FELIZ é mote da Campanha anual feita pelo Instituto Ronald McDonald, que consiste em doar, toda a renda de um dia inteiro de vendas do sanduiche BIGMAC, nas Lojas MCDONALDs, livre dos impostos para uma instituição de Combate ao câncer infanto-juvenil. Aqui na nossa Paraíba a ONG DONOS DO AMANHÃ está coordenando o MCDIA FELIZ com a finalidade de construir os alojamentos humanizados da Pediatria do Hospital Napoleão Laureano.

O Evento MCDIA FELIZ deste ano, será no dia 28 de Agosto de 2010, em todas as Lojas MC DONALDs do Estado. E, como é costume em todos os anos, este também será o dia inteiro das 7:00 horas à 00:00 (meia noite) do último Sábado de Agosto.

Mais uma vez contamos com a solidariedade da Sociedade Paraibana a fim de construir toda esta infra-estrutura na Pediatria do Hospital Napoleão Laureano, para que a criança portadora de câncer possa ter o conforto necessário na sua fase de internação.

Dê sua colaboração. Solidariedade é sinônimo de amor e zelo pelas crianças paraibanas!

BONECOS DE LATA E O MCDIA FELIZ

Desde o primeiro MCDIA FELIZ que nós, os BONECOS DE LATA (veja o Blog: HTTP://bonecosdelata.blogspot.com/), grupo de artistas paraibanos, com trabalho voluntário na Pediatria do Hospital Napoleão Laureano, temos a honra de, unidos à ONG DONOS DO AMANHÃ, colaborarmos num evento tão importante para a sociedade paraibana.

Assim, como sempre integraremos a equipe de Coordenação de Arte do evento. E, como todo ano, ainda presenteamos a sociedade, nos apresentando junto com as crianças portadoras de câncer no palco principal e fazendo uma verdadeira festa, contribuindo na transformação de tristeza em alegria, desespero em esperança, dor em alívio, doença em cura.

Contamos com a colaboração de todos!

Já estamos vendendo os tickets do BIGMac, basta me solicitar nos contatos abaixo.

Merlânio Maia
(83)9922.9660 – 8725.9660 – 3042.6660
João Pessoa/PB

quinta-feira, 24 de junho de 2010

A SAGA DE KLEDIR



A SAGA DE KLEDIR
Crônica de Merlânio Maia

Nestas muitas tardes de sábado que estivemos com as crianças com câncer, uma me marcou terrivelmente.

Os Bonecos de Lata têm a missão de levar alegria aos pacientes, funcionários, enfermeiros e assim mantemos uma relação de afeto com todos, mas naquele sábado a nossa amiga enfermeira de plantão nos informou de chofre:

- O Kledir está muito mal! Dificilmente passará de hoje!

Kledir nos conquistou desde o primeiro dia. Seu jeito brejeiro, calado e sofrido fez com que aproximássemos mais dele. Nascido no interior do estado, numa família de catorze irmãos, quando tinha cinco anos a mãe faleceu de complicações do coração, deixando ele como caçula sem o apoio maternal.

Certo dia caiu e machucou o joelho. A partir dali nunca mais teve saúde. O seu joelho inchava sempre e depois de muito tempo os irmãos o levaram ao posto de saúde, resumindo, dali foi para no Hospital Napoleão Laureano e foi diagnosticado o câncer.

A família fugiu abandonando-o à própria sorte. Então os médicos entraram com uma ação e a família foi localizada e obrigada, pela justiça, a dar apoio ao menino e a fazer plantão no Hospital, para cuidar dele, pois as crianças têm que ter familiares acompanhantes. É Lei!

Esta foi a sua Saga. Era tanta a sua carência de amor que  quando brincávamos com as outras mães na enfermaria dele ouvíamos comovidos:

- Se minha mãe estivesse viva, ela também estava brincando aí e eu não ficava sofrendo aqui sozinho, num era não, Boneco?

E eu respondida: - Claro que não, mas sua mãezinha está lhe ajudando junto com a mãe de Jesus, que a todos nos ajuda!

Pois bem. Naquele sábado, depois do nosso trabalho de cantar, contar histórias e tudo mais, fomos ao seu encontro no reservado. Cantamos uma oração, pois ele estava com dificuldade de respirar.

Com metástase no pulmão, fígado, intestinos. Agora nos olhava confiante.

Num determinado momento, pediu a mão da Boneca de Lata para pegar. Ela deu a mão e ele disse arfando:

- Fique aqui comigo, porque estou indo embora!...

Foram suas últimas palavras.

Esperamos até o fim. Oramos juntos pedindo a Deus o conforto para aquele órfão de mãe tão carente e pedimos especialmente a Mãe Santíssima, Maria de Nazaré que o amparasse e, se possível fosse, que lhe entregasse a sua mãezinha tão amada por aquela criança de coração tão sofrido. Acabando com aquela orfandade de vez!

segunda-feira, 21 de junho de 2010

O ANJO-MARIA




O ANJO-MARIA
Crônica de Merlânio Maia

Um dos casos mais tocantes que vi no nosso trabalho da Cia. Do Boneca de Lata, foi o de Maria.

Maria era uma menina de apenas três anos, que, depois de muito sofrimento no sertão da Paraíba, teve diagnosticado o câncer nos intestinos já em estado avançado e, buscou tratamento no Hospital Napoleão Laureano, hospital referência na região nordeste, e foi assim que a conheci.

Maria com sua de uma personalidade forte, seu um olhar meigo, carinhoso e, por essas e outras coisas, profundamente amada e idolatrada pelos pais.

Seus pais são sertanejos, sitiantes, cuja família consistia de pai, mãe e duas filhas, Maria e Mariana e a estrutura daquela família era de dar inveja a todos. Pelo muito que se amavam sem vergonha de demonstrar que se cuidavam com muito carinho e, todos, de uma fé sincera e profunda.

Tive oportunidade de conversar muito com Luiz, o pai que, apesar de bem mais jovem que eu, tinha uma sabedoria imensa e, sempre dizia: - Para nós, a família é a coisa mais sagrada que existe na vida. Conceito vivenciado dia a dia pelo seu grupo famliar.

E foi nesse universo que apareceu o câncer em sua primogênita Maria.

Desde a sua chegada, no primeiro dia,  que Maria ficou muito ligada aos Bonecos de Lata,  Nosso grupo de brincantes do Hospital Napoleão Laureano.

Lembro que ela chegara desidratada, com a barriga imensa, sentindo muitas dores e o seu pai fervoroso não parava de pedir ajuda a Deus. Nesta hora, Maria olhou-me com um olhar profundo agonizante e eu lhe perguntei se gostaria que eu tocasse uma música e ela apenas balançou a cabeça afirmativamente.

A partir dali nasceu nossa amizade sem fim.

O tempo passou. Entre agulhas e QT, entradas e saídas do Hospital. Sempre é um tratamento duro. Uma luta a cada dia. Ela ia para sua casa no sertão e voltava ao Hospital

Foram muitas alegrias e tristezas, vitórias e derrotas, cirurgias e recuperações, cantos e contos, nossa amizade se consolidou e tivemos muitos momentos intensos, em que ela e a sua família muito me ensinaram sobre a fé e sobre o sofrimento.

Quando Maria completou cinco anos, foi para o sertão e perdi um pouco o contato com eles, até que num sábado, chegamos ao hospital e fizemos nossa visita inicial e lá estava Maria. Muito grave, muito mal, sequer abriu os olhos, apesar de Luiz, seu pai, ter dito a ela que o Boneco de Lata estava ali do seu lado. Falei baixinho que a amava, me despedi com carinho, ela esboçou um sorriso doloroso e fui fazer meu trabalho de cantoria com as outras crianças.

Terminado a cantoria, voltei ao leito de minha pequena amiga e o que presenciei jamais poderei esquecer: Maria acabara de falecer! Todos choravam, enfermeira, médica, os Bonecos de Lata, sua mãe e seu pai!

Então, comovidíssimo, vi seu pai pegá-la nos braços e esticando-os para o alto, como uma oferenda a Deus, com a voz embargada de pranto dizia:

“- Eis aqui, Meu Deus, aqui está o teu anjinho que um dia me presenteaste e este anjo, Senhor, me fez tão feliz!... Agora,  Senhor, te devolvo este presente lindo, para que ela possa ser feliz ao teu lado sem dor e sem sofrimento. Obrigado meu Pai, pelos dias que tive este lindo anjinho na minha casa alegrando minha família. Vem receber, meu Senhor e faz ela feliz no Teu reino de luz e paz...”

E caiu num choro doloroso, acompanhado por todos que ali se encontravam.

Mas confesso a você, caro leitor, que até agora, ainda me comovo só com a lembrança daquela cena em que o pai devolvia o seu anjo a Deus. O Anjo-Maria!